Sure, resenha: Por Favor, Ignore Vera Dietz de A.S. King

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Se há algo de errado, realmente significativo acontecendo na sua vida ou a sua volta, por favor, ignore. Há maridos batendo em esposas na casa ao lado? IGNORE. Há amigos vendendo cuecas para estranhos? IGNORE. IGNORE, IGNORE E IGNORE.

Vera Dietz e Charlie Kahn foram melhores amigos desde crianças até completarem 17 anos. Mas agora Charlie está morto. E morreu de uma maneira horrível e misteriosa. E morreu brigado com Vera.
Logo no início do livro sabemos do seguinte acontecimento: Charlie tinha 17 e está morto.
Charlie era o melhor amigo de Vera. Sua morte é um mistério e Vera parece saber de algo.
Ao longo do livro enquanto desenrolamos os mistérios com Vera, também conhecemos mais de sua história.

Charlie e Vera são amigos e vizinhos desde pequenos. Um ao lado do outro desde sempre. Mas apesar de terem casas tão próximas, os dois tem famílias muito diferentes.
Na casa de Vera, temos um pai ex-alcoólatra que agora tem uma prateleira cheia de livros de auto-ajuda e é adepto a filosofia de ignorar os problemas até que eles desapareçam. A mãe de Vera é uma ex-stripper, que engravidou cedo e aparentemente não queria ter filhos, abandou o lar quando Vera tinha apenas 12 anos.



Na casa de Charlie, temos um pai grosseiro que espanca a mãe, que não denuncia e chora em silêncio.

Enquanto eram amigos, estava claro que eles se amavam muito, mas ambos ignoravam isso. Era preciso lutar contra seus próprios destinos.Era preciso que Vera não se tornasse uma adolescente grávida e stripper, e que Charlie um pai que espancava a esposa.

 


Atualmente Vera ainda tem um pai com uma prateleira cheia de livros de auto-ajuda, e que a ensina a ignorar tudo o que pode ser particularmente ruim. Agora, ela trabalha em uma pizzaria no turno da noite, ainda estuda e não tem nenhum melhor amigo.
Mas de alguma forma ele continua lá. Em seu picles do sanduíche que está comendo, ou em mil aparições em seu carro.

Por favor, ignore Vera Dietz, é um livro sobre amor e amizade, mas sobretudo é um livro sobre família. Há uma carga ENORME de drama familiar nele, e os personagens principais são constantemente afetados por isso. 

Nesse livro, além de encontramos a assinatura de A.S. King que são as pitadas de coisas fantásticas e irreais, ela também brinca com as narrativas.  Vera narra a maior parte da história, mas em vários capítulos somos surpreendidos por narrativas inesperadas feitas pelo: Pai, o templo e Charlie em algum lugar da vida após a morte.



Ler esse livro além de uma experiência incrível também foi marcante e modificador. 
A.S King  não nos conquista apenas com sua particularidade das coisas fantásticas em seu enredo. Mas sim, por sua verdade. 

Seus personagens são tão bem desenvolvidos e esmiuçados que transbordam verdade. E isso por si só difere a escritora de muitos outros por ai. Escrever sobre adolescentes é relativamente fácil, mas escrever com verdade e escrever com a profundidade de quem realmente adentrou nesse mundo, é muito diferente.

Por isso fica aqui minha súplica: EDITORAS TRAGAM MAIS LIVROS DELA PRO BRASIL! 


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5 comentários

  1. Puxa, parece ser muito bom o livro...e é interessante esse negócio da gente tentar ignorar tudo de ruim em volta para preservarmos um pouco de sanidade.
    Bj e fk c Deus.
    Nana
    http://nanaeosamigosvirtuais.blogspot.com

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  2. Nossa, miga... que soco emocional, hein o______O
    Guerreira você em encarar uma leitura tão real e forte assim...
    No momento, não consigo... To precisando de literatura fofinha (ainda mais por ter chorado litros com o filme da Jojo rs)
    Bjsssss,
    Reb

    http://blogpapelpapel.blogspot.com

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  3. Oi, Pah! Tudo bem?
    Nossa, que enredo forte. Rende um ótimo filme.
    Adorei o livro :)
    Infelizmente, vemos muitas famílias assim no dia a dia.
    Beijo,


    www.blogdahida.com

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  4. Me pareceu um tema bem tenso, mas que precisa ser discutido e não ignorado. Dramas familiares costumam me prender bastante, eu acabo parando pra imaginar o que de fato, ocorre na casa de um vizinho, se há coisas muito erradas acontecendo por lá, se tudo é como aparenta ser. Acho que é um livro bem profundo, né? Adorei a resenha!
    Colorindo Nuvens

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  5. Pelo jeito esse livro é bem "dedo na ferida", né? De vez em quando eu fico numa vibe de ler livros assim, com um toque mais próximo da realidade... A sinopse me lembrou A Garota no Trem, mas deve ter sido só uma impressão, hehe

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